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Blog de bene
 


Histórias da floresta encantada

Neste Acre de Luiz Galvez e Chico Mendes nada é impossível. Do político seringueiro que reivindicava exclusividade sexual da ex-companheira ao deputado que em três décadas de mandato jamais foi à tribuna para dar sequer um espirro. Essas e outras pérolas do folclore contemporâneo estão devidamente catalogadas nos anais da chamada grande imprensa e abastecem o balaio de mangofa dos iluminados colunistas da nação verde-amarela, que não perdem a oportunidade de tripudiar da burrice alheia.

Por esses dias eu soube de outra da minha aldeia (agora na área esportiva) que corre o risco de enriquecer o manual de anedotas do sul-maravilha. Tomara que não passe de boataria! Linguarudos andam espalhando por aí que o estádio Arena da Floresta, entregue aos acreanos no Natal de 2006, não pode sediar os jogos do campeonato estadual duas vezes na semana para não danificar a grama importada. É se preparar porque o Programa do Jô tá doidinho para botar a boca no mundo.

E aí, o torcedor, que pensou ter aposentado o sofrido José de Melo, volta à estaca zero. Sinceramente, espero que o argumento do Governo da Floresta seja bem mais consistente do que o instinto de preservação. Comprar um carro zerado e limitar seu uso para evitar que ele envelheça é uma risível insensatez. Não é por acaso que o dicionário registra a palavra “manutenção”, derivada do verbo “manter”, que significa cuidar, dar atenção.

Ah, somente agora eu me toquei. Há alguns meses, Fluminense e Adesg (não é “o” Adesg, recomenda sempre o Antonio Stélio), que disputaram uma partida da Copa do Brasil, não puderam realizar o manjado reconhecimento do gramado, ritual elementar em toda competição de futebol no Brasil, no Haiti, no Cazaquistão... O governo do Estado negou autorização. Pois o Tricolor das Laranjeiras acabou sendo remanejado para o “Tonicão”, ironicamente no bairro Floresta, e lá pôde usufruir o piso de um campo que ainda está em construção.

É por isso que todo mundo manga da gente, né não?



Escrito por bene às 09h46
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Donos da história

De cada grupo de mil acreanos, vinte e cinco são índios “do pé rachado”, pertencentes a dezenas de etnias espalhadas de leste a oeste do Estado. Equivalem em número, por exemplo, à população de Xapuri - algo perto de quinze mil almas. Têm olhos amendoados como os asiáticos, costumes e línguas próprios, mas um desejo comum a todos os povos de todas as nações terrestres: viver com dignidade e ser respeitados pelo homem branco.

Hoje, 19 de abril, é o dia que o calendário gregoriano dedica a essa gente que descobriu o Brasil antes mesmo de ele ser descoberto, há mais de cinco séculos. Vítimas da negligência de quem deveria cuidar deles, ano após ano vêem sua representação no país minguar. Perambulam errantes pelas cidades, submetem-se à execração do homo urbanu, suplicam a caridade de uma mísera moeda para com ela tentar mitigar a fome que os fustiga.

Discriminar minorias dá processo, dá cadeia, é crime inafiançável. Assim prega a legislação. Mas ela mesma prefere dar de ombros quando um cara-pálida é queimado vivo em praça pública por filhinhos de papai da classe média. Atear fogo em um ser humano é ato de total repugnância e imperdoável aos olhos da sociedade. No caso do índio calcinado pelos adolescentes, o delito de repente se transformou em “culposo”. A história da nação serve de testemunha de tamanha desigualdade.

Parabéns a esses genuínos brasileiros por mais uma data a eles dedicada. Ao menos isso!



Escrito por bene às 09h31
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