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Blog de bene
 


Mau exemplo

"Precisamos paralizar no dia 23", conclama nota do Sindicato dos Docentes da Ufac (Adufac) distribuída em todos os setores da instituição esta semana. Em letras capitais, corpo 20! Antes que joguem a culpa no digitador ou no revisor, não custa lembrar que a entidade congrega a nata intelectual da academia, a maior parte com mestrado e doutorado concluídos fora do Estado. Se o pessoal da lousa e do giz é capaz de proezas dessa magnitude, o que esperar dos discípulos? E como consultar o dicionário dá câimbra nos dedos, por que não escrever "grevar"?



Escrito por bene às 00h04
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Histórias da floresta encantada

Neste Acre de Luiz Galvez e Chico Mendes nada é impossível. Do político seringueiro que reivindicava exclusividade sexual da ex-companheira ao deputado que em três décadas de mandato jamais foi à tribuna para dar sequer um espirro. Essas e outras pérolas do folclore contemporâneo estão devidamente catalogadas nos anais da chamada grande imprensa e abastecem o balaio de mangofa dos iluminados colunistas da nação verde-amarela, que não perdem a oportunidade de tripudiar da burrice alheia.

Por esses dias eu soube de outra da minha aldeia (agora na área esportiva) que corre o risco de enriquecer o manual de anedotas do sul-maravilha. Tomara que não passe de boataria! Linguarudos andam espalhando por aí que o estádio Arena da Floresta, entregue aos acreanos no Natal de 2006, não pode sediar os jogos do campeonato estadual duas vezes na semana para não danificar a grama importada. É se preparar porque o Programa do Jô tá doidinho para botar a boca no mundo.

E aí, o torcedor, que pensou ter aposentado o sofrido José de Melo, volta à estaca zero. Sinceramente, espero que o argumento do Governo da Floresta seja bem mais consistente do que o instinto de preservação. Comprar um carro zerado e limitar seu uso para evitar que ele envelheça é uma risível insensatez. Não é por acaso que o dicionário registra a palavra “manutenção”, derivada do verbo “manter”, que significa cuidar, dar atenção.

Ah, somente agora eu me toquei. Há alguns meses, Fluminense e Adesg (não é “o” Adesg, recomenda sempre o Antonio Stélio), que disputaram uma partida da Copa do Brasil, não puderam realizar o manjado reconhecimento do gramado, ritual elementar em toda competição de futebol no Brasil, no Haiti, no Cazaquistão... O governo do Estado negou autorização. Pois o Tricolor das Laranjeiras acabou sendo remanejado para o “Tonicão”, ironicamente no bairro Floresta, e lá pôde usufruir o piso de um campo que ainda está em construção.

É por isso que todo mundo manga da gente, né não?



Escrito por bene às 09h46
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Donos da história

De cada grupo de mil acreanos, vinte e cinco são índios “do pé rachado”, pertencentes a dezenas de etnias espalhadas de leste a oeste do Estado. Equivalem em número, por exemplo, à população de Xapuri - algo perto de quinze mil almas. Têm olhos amendoados como os asiáticos, costumes e línguas próprios, mas um desejo comum a todos os povos de todas as nações terrestres: viver com dignidade e ser respeitados pelo homem branco.

Hoje, 19 de abril, é o dia que o calendário gregoriano dedica a essa gente que descobriu o Brasil antes mesmo de ele ser descoberto, há mais de cinco séculos. Vítimas da negligência de quem deveria cuidar deles, ano após ano vêem sua representação no país minguar. Perambulam errantes pelas cidades, submetem-se à execração do homo urbanu, suplicam a caridade de uma mísera moeda para com ela tentar mitigar a fome que os fustiga.

Discriminar minorias dá processo, dá cadeia, é crime inafiançável. Assim prega a legislação. Mas ela mesma prefere dar de ombros quando um cara-pálida é queimado vivo em praça pública por filhinhos de papai da classe média. Atear fogo em um ser humano é ato de total repugnância e imperdoável aos olhos da sociedade. No caso do índio calcinado pelos adolescentes, o delito de repente se transformou em “culposo”. A história da nação serve de testemunha de tamanha desigualdade.

Parabéns a esses genuínos brasileiros por mais uma data a eles dedicada. Ao menos isso!



Escrito por bene às 09h31
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Meu amigo Braga

Direto da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, capital do Pan 2007, recebo notícias do cearense mais formidável do meu Brasil vanonil. Francisco Braga, nascido "na capital de Fortaleza" (palavras do próprio), no chiquérrimo bairro da Aldeota, e um dos mais competentes chargistas da Amazônia Legal (e também da Ilegal), sem vê nem pra quê resolveu trocar o nosso "seringalvez" pelas delícias desse Sudeste de balas perdidas, com aquelas praias sem graça (argh! Odeio o mar!) e a cariocada chiando que nem panela de pressão. Mesmo assim, não esqueci o convite que você e dona Soraya me fizeram de visitar essa cidade horrorosa, desprovida de atrativos. Devo chegar por aí por esses meses, garanto. Apenas (e somente apenas) para cumprir a palavra, porque, como já falei, não sou de abandonar assim, sem mais nem menos, meu "garapé" São Francisco por qualquer praiazinha do Leblon, Copacabana...
Ah, Braga, antes que esqueca, aproveita e manda um pedaço da grama do Maracanã (vixe, não é para mim não, rapaz! É um amigo meu que faz coleção de capim famoso e ficou com vergonha de se identificar.) Via sedex, para chegar logo. Mas não envia antes do próximo dia 15. É que o "payday" (dia de pagamento) da empresa ainda promete demorar.
Feliz Páscoa para vocês!

Abraço

Escrito por bene às 12h50
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Alô, navegantes!

Ufa! Até que enfim resolvi atender os apelos de milhares de amigos, admiradores e adversários, e acabei caindo nessa contagiosa febre de "blogadores" que povoa a cada minuto o universo. Contrariei as próprias origens (afinal, nasci e me criei ouvindo o barulho de uma máquina de "dactilografia" Remington, do século 19) e cá estou usando um espaço generoso no qual poderei extravasar, agradecer, elogiar e por aí vai.

Difícil vai ser encontrar alguém disposto a ler meus desabafos e - mais difícil ainda - não desistir. De qualquer forma, o desafio foi lançado (eita lugar-comum chato, né? "o desafio foi lançado!") e agora só resta buscar inspiração diária e ter os dedos dispostos a converter tudo isso em frases, linhas e parágrafos e. Depois... Depois? E eu sei? Amanhã a gente conta!

Um abraço

 

Bené



Escrito por bene às 11h41
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